BLACK IS (SO) BEAUTIFUL !!!

Fiquei muito surpreso ao saber que a direção da Semana de Moda Paulistana teria se comprometido a “sugerir” às marcas que desfilarão na próxima edição do evento,em junho próximo,afim de que as mesmas incluam pelo menos 10% de negros em seus castings.Ok,não é de hoje que negros – por mais belos e competentes que sejam – são minoria nas passarelas.Mas não acredito que essa seja a maneira de resolver a questão,que vai muito além.Sem muita firula,vou (re)lembrar aqui que só se houve muito falatório sobre modelos negras na passarela quando a inglesa Naomi Campbell ou a sudanesa Alek Wek pisam em terras brasileiras.

alekwek
a sudanesa Alek Wek,minha preferida always,supermodel,supergata e agora,escritora de sucesso.

Tempos atrás,aconteceu um movimento internacional no melhor estilo “black is beautiful” com uma edição da “Vogue” italiana (depois seguida por outras importantes publicações especializadas) produzida apenas com modelos negros.Nos anos 80,o fotógrafo italiano Oliviero Toscani também deu sua contribuição,usando numa campanha sim e na outra também modelos negros nos casts de suas hypadas (e polêmicas) campanhas.

rojanefradique
a modelo baiana Rojane Fradique,uma de nossas tops mais versáteis

Bem,voltando à questão aqui no Brasil,dessa vez o Ministério Público de São Paulo se envolveu na questão,como foi divulgado hoje na grande mídia.A falta ou ausência de modelos negros não só nas passarelas mas também nas capas de revista (com raríssimas excessões) e principalmente em campanhas publicitárias já rendeu muito falatório e até protestos em eventos como a própria S.P.F.W.

emanueladepaula
uma de nossas brasileiras no olimpo da moda: Emanuela de Paula, aqui na capa da revista FFwMag! e uma das futuras “angels” da hypada grife Victoria’s Secret.

Tanta disparia (e discriminação velada) já rendeu a criação de uma revista – de muito sucesso – que “fala” diretamente com a população negra além de uma agência que trabalha apenas com modelos negros.Particularmente acredito que essas ações por mais que tenham o intuito de defender os direitos dos negros no mercado de trabalho,ao mesmo tempo tornam essas ações um exemplo se sectarismo,ou seja,criação de subgrupos como se fossemos “catalogáveis”.Triste.

chaneliman
Chanel Iman, modelo americana,é uma das modelos em maior ascenção no mercado atualmente,desfilando para (quase todos) os grandes nomes e estampando as capas das mais prestigiosas revistas

Enfim,”exigir” uma quantidade mínima de modelos negros nas passarelas não vai resolver a questão.É paliativo,apenas.Impor uma multa de R$ 250 mil às grifes que descumprirem a medida dá um peso pior ainda.É preciso haver antes de mais nada um processo social,embasado na educação antes de mais nada para que as pessoas aceitem que todos somos iguais e que a cor da pele não tem importancia alguma quando se pensa em talento e profissionalismo que é o que – de fato – importa.

Pra pensar…..

fotos: reprodução

(para ler ouvindo)

8 comentários sobre “BLACK IS (SO) BEAUTIFUL !!!

  1. Oi querido, tudo bem? Passei pra te dar um oi… O blog tá lindão, parabéns (sempre). Ainda continuo a espera do seu super-livro, não pense que esqueci.
    Essa história de “problemas raciais” fashion não é de hoje: e as japonesas, você já pensou nelas? Uma super força de mercado, aqui é a maior colônia oriental fora do Japão, e além da Juliana, cadê as japs? (Bom, eu que adoro um japinha, sou suspeito pra falar). A moda sempre foi elitista e voltada pra um público muito especializado (as tais ladies who lunch),e isso no mundo todo, mas sempre houve no primeiro mundo uma certa liberdade em diversificar (os londrinos são craques nisso). Agora, como nós somos -now and forever, pelo andar da carruagem- os figurantes da quinta fila, engolimos essas informações sem pensar muito e pronto. Mais da metade dos brasileiros é negro ou pardo, e se você pensar na miscigenação dos séculos, a porcentagem é muito maior. É bem como você falou, o buraco é mais embaixo, o Brazil não conhece o Brasil, e como diz o outro, está se lixando.
    E vamos que atrás vem gente, e vamos ver quantas ombreiras Balmain vão aparecer na “nossa” Fashion Week, porque é de muitas páginas arrancadas de Vogue que se faz uma moda como a nossa.
    No mais, apesar de você odiar a fulana, não dá pra negar que na nova fase Michelle, La Wintour tem recheado sua revistinha tão atacada com as modelos negras mais lindas do planeta. Aqui, as capas com as fininhas de sempre. Preguiça? Medo de não vender? Falta de criatividade? Credo.
    Beijão!

  2. Ferba: é isso ai,o buraco é mais embaixo.
    Oliveros: à noite em casa eu entro com o MyPreview.
    Babboni: que tudo receber sua visita aqui,saudades de suas palavras,suas fotos e sua sabedoria…mas agora se tu decidir voltar,vou te encher de porrada (rs)
    Abç,à todos,Stuart

  3. Credo, porrada não que isso é coisa de bofe. Mas se for um chicotinho, a gente pode até conversar.
    Ah, e o Um Milhão virou UM agora (eram só férias), ummilhao.wordpress.com
    Menos vestidos e mais veneno. E vamo que vamo.

  4. Olha aqui,sr Babboni: ja toh cansado de linkar e depois apagar o link do teu blog aqui no MyPreview.Como eu disse no meu email (vc leu,espero),ve se controla essa ansiedade que o mundo nao vai acabar amanha (acho…espero) e ve se não “some” de novo….
    Qto ao chicote,espero que meu namorido (há quase 10 anos) não leia isso,senão estamos ferrados (e mortos),kkkkkk
    abç e welcome pela….sei la milésima vez….e ve se libera os comments no teu blog que eu quero te xingar muito lá….
    Stuart

  5. É preciso haver um processo social sim, e acredito que essas cotas fazem parte desse processo social. A gente não gosta muito de medidas que partem do gorverno, e eu acho que a organização do SPFW devia ter sido mais sensível a isso e tomado medidas por ela mesma, sem precisar desse escarcéu todo. Mas, pelo que eu li, o Paulo Borges estava faltando a reuniões com o Ministério Público – ou seja, não estava cooperando. Mas no fim, eu acredito muito que as cotas vão ser uma coisa boa, porque estão seguindo uma tendência mundial, de maior receptibilidade ao “Black is Beutiful”. Como você citou, teve a Black Issue da Vogue Italia, tem o Obama, e tem os protestos que rolam desde faz muito tempo de modelos negros no SPFW e no Fashion Rio. E já pensou que legal ver mais modelos indígenas? Vamos ver como cada marca vai trabalhar isso.

  6. Eu até concordo com essa história das cotas, como disse meu amigo aí de cima, essa “aceitação” é um processo social mesmo, e às vezes a coisa tem que ser empurrada goela abaixo. A questão aqui é que temos uma história absurda de exclusão social (por causa da escravidão, claro), e -infelizmente- ainda é raro termos uma classe média negra e poderosa como a que se formou nos Estados Unidos, por exemplo (a ponto de eleger Obama). Enquanto não tivermos negros atuando em todas as camadas sociais, consumindo moda e criando necessidades específicas de consumo, vai ser difícil superar esse nó. Vamos ter sempre “a modelo negra da estação”: lindíssima, mas inacessível ao mundo real. É uma pena essa exclusão, aliás, é um absurdo social que mostra bem nossa quinta-mundice (credo, que palavra feia).
    Agora, isso é no mundo todo: a própria Índia coloca modelos loiras na capa da Vogue! Estamos tão condicionados a ver o colonizador europeu (ou norte americano, que seja) com o cetro na mão que nem sabemos mais quem nós somos.
    Aliás (me perdoe o testamento) queria dizer aqui que a top-model mais bacana que vi surgir do Brasil foi a Caroline Ribeiro, ela tem a nossa cara, o mix do mix do mix que é o Brasil.
    Ufa!

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