CROSSOVER

É fácil afirmar: nunca se viu uma moda tão plural -e livre de códigos sexuais-,como nos dias atuais.Meninas vestem xadrez compulsivamente,os meninos as moderníssimas calças saruel.Meninas investem nos jeans dos namorados – por isso chamados boyfriend-jeans e os meninos não se importam em usar suas calças apertadíssimas (“aka” silhueta skinny),mesmo quando não tem (necessariamente) uma identificação com o andrógino universo do rock.

Também não surpreende tanto ver um homem trajando uma kilt pelas ruas,assim como uma mulher pode usar um colete de couro e um par de coturnos nos pés sem que sua sexualidade seja questionada.Também foi-se o tempo que o uso de cor de rosa por meninos representava uma série de piadinhas -e a supremacia das camisas-pólo da hypada Lacoste estão aí pra provar.

É impossível deixar de observar que há muitas variáveis nesse contexto,todas embasadas na questão cultural.Na Europa,de uma forma geral,as pessoas não se limitam tanto ao “que podem pensar de seus trajes”.E isso se multiplica em Londres,cidade conhecida pelo seu espírito “avant-gardé”,tanto na moda como nas artes plásticas.Paris é outro celeiro de estilo e de novos códigos.Mesmo sendo berço de grifes clássicas como Chanel e Yves Saint-Laurent por exemplo,quando não absorve os “novos códigos visuais” que se espalham como um “vírus” pelos quatro cantos do mundo,trata de lançar os seus próprios modismos e hypes.

O Brasil,por se tratar de um país com uma cultura de moda bem mais recente que os países acima citados,ainda tem muito caminho pela frente.Um longo caminho afim de desenvolver essa tal identidade -assunto preferido das cabeças pensantes de nossa indústria de moda.Colonizados séculos atrás,ainda somos “guiados” pela cultura tradicionalista e porque não afirmar,bem machista dos portugueses.Isso sem falar na identificação de nossa juventude com a moda americana -fato lastimável pois é um dos povos mais mal-vestidos do Globo.

O que importa e é relevante considerar nesta conversa é que na última década,com o “boom” da internet e suas redes sociais,a democratização da informação e a proliferação de superblogs de moda de rua como o The Sartorialist e o Face Hunter,nunca se viu uma moçada tão “antenada” com o savoir-faire e o way-of-life mundial,trazendo para nossas ruas (nos grandes centros urbanos pelo menos),uma moda mais diversificada e dinâmica.

Mesmo aasim,vale ressaltar que ainda estamos engatinhando e muito lentamente,afim de criar nossa própria identidade,essa “nossa cara”.Aquela que nossos críticos e estudiosos afirmam que ninguém conseguiu “imprimir”.Ainda.

fotos: reprodução

(para ler ouvindo)

3 comentários sobre “CROSSOVER

  1. eu super concordo com suas palavras e acho que hj em dia ñ tem nada a ver essa historia de masculino e feminino,o que importa mesmo é o caimento,a qualidade da peça até pq,eu mesma vivo roubando umas coisas do meu namorado!
    parabens pelo blog,é excelente e muito bem escrito😉

  2. Você está certísima,tem que roubar meshmo…costumo dizer que o que importa na moda é o impacto da imagem,sempre.
    Obrigado e volta mais.
    Stuart

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